
O terreno que já abrigou a sede do histórico clube Operário – célebre por seus carnavais – e que hoje é chamado de SmartPark São Francisco (um estacionamento inteligente), às margens da avenida Manoel Ribas e fronteiro à praça João Cândido – a do belvedere -, em Curitiba, recebe neste sábado a instalação do primeiro banheiro público autolimpante da cidade.
Vai funcionar em caráter experimental por seis meses, todos os dias, das 7h às 22h, com uso gratuito. A operação é de responsabilidade da Urbs (Urbanização de Curitiba).
Na descrição da Prefeitura, o banheiro é feito de aço inox e adaptado para dificultar a ação de vândalos, funciona por sensores e utiliza tecnologias que promovem a utilização eficiente de água e energia elétrica. O sistema de limpeza do banheiro é totalmente automatizado. Quando a cabine é desocupada, sensores de presença iniciam o processo de higienização, que é realizado por sprinklers (chuveiros hidráulicos) que aplicam água e produtos de limpeza no chão.

Cada banheiro conta com duas cabines, equipadas com um vaso sanitário, uma pia, reservatório de sabonete líquido, papel higiênico, secador de mãos e lixeira, com reposições diárias.
O acionamento de todos os serviços – sabonete, água e secagem das mãos – é realizado por sensores de aproximação, evitando o contato físico e, consequentemente, a exposição a agentes microbiológicos. O banheiro também veicula uma mensagem de áudio com instruções sobre o uso adequado do equipamento.
As portas dos banheiros são equipadas com sinalizações claras para informar os usuários sobre o status do equipamento: “livre” (luz verde), “desligado” (luz vermelha), “ocupado” (luz amarela) e “limpeza” (luz azul).
A abertura e travamento da porta são automatizados. Para sair, basta que a pessoa aproxime sua mão do sensor verde ao lado da porta. O papel higiênico deve ser descartado dentro do vaso sanitário e a descarga é acionada automaticamente após o uso.
A limpeza do local será feita pelo sistema do próprio equipamento, sempre após a saída de cada usuário e antes da entrada do próximo. A porta se fecha automaticamente após 10 segundos, mas pode ser aberta e fechada manualmente a qualquer momento. Além disso, há um sensor de emergência na parte interna da cabine que, ao ser acionado, permite a abertura automática da porta por 2 minutos.
UMA QUESTÃO ANTIGA
Ao fim de seu mandato, em 1912, o então prefeito de Curitiba Joaquim Pereira de Macedo, em relatório à Câmara de Vereadores, informou: “Depois de uma demora extraordinária na alfândega de Paranaguá, onde só agora lograram ter despacho, chegaram afinal a Curitiba os mictórios públicos, cuja instalação ordenei fosse imediatamente feita. Estão hoje todos instalados”.
Não informou onde e nem há notícia de que funcionaram.
O ex-deputado federal Pedro Lauro Domaradzki, eleito em 1974 na avalanche de votos do antigo PMDB – quase todos os candidatos do partido à Câmara Federal foram eleitos; sobrou apenas um como suplente – foi, ao tempo de suas campanhas inglórias para vereador de Curitiba, um batalhador pela instalação de ‘mictórios públicos’. Inclusive, fazia sua reivindicação através de frases em giz nos meios-fios das calçadas.
Pedro Lauro, que até há pouco era proprietário de um bar que encerrou atividades, já propôs, como deputado, a reabertura dos cassinos, a anexação das Guianas ao Brasil e a ‘nacionalização’ do Papai Noel, parece ter tido, na questão dos mictórios, a sua única proposta séria e consistente.
Na esteira de Pedro Lauro, em 2020, o então vereador Mestre Pop, um capoeirista, propôs a instalação de banheiros de acesso público nas praças Santos Andrade e Carlos Gomes. Ficou no papel.
(Com informações da Prefeitura de Curitiba)
