Sabores & história

Gabriela, Edite e Alone na sacada de ferro batido do prédio histórico/foto: Ricardo Marajó

Rua de muita história, a Barão do Rio Branco, em Curitiba, guarda ao longo de seus quarteirões uma coleção de casarões de estilo que já viveram tempos de esplendor, alguns deles preservados, vários por ora fechados, e outros, restaurados, que se oferecem a novos usos. Um deles é o de número 593, que abriga hoje um restaurante e café chamado Kurí, nome que remete às primeiras duas sílabas da palavra Curitiba.

A casa tem um charme todo especial, ampliado pela memória afetiva da cidade, pois ali viveu sua infância e adolescência o prefeito de Curitiba e governador do Paraná Jaime Lerner.

Onde hoje se distribuem o balcão, mesas, bufê, entre outros itens, já foi espaço de comércio de roupas feitas, acessórios e calçados de um imigrante polonês chamado Felix Lerner, o pai do Jaime. Na descrição do boletim da Casa Romário Martins sobre a Rua da Liberdade, é um sobrado eclético com sacada de ferro batido, construído por Jordão Mader, ervateiro com engenho na rua Marechal Floriano Peixoto, no início do século 20.

Restaurado recentemente pelo empresário Arlei Smanhotto, o imóvel, alugado, passou a abrigar, há três meses, o Kurí, empreendimento das sócias Gabriela Inácio, Alone Leal e Edite Ribeiro. O restaurante, em sistema de bufê a quilo, abre às 11h30 e serve almoço até às 14h30, de segunda a sábado. Depois de uma hora de intervalo, reabre como café, até às 19h30. Além do salão principal, há mesas ao ar livre, num espaço intermediário, protegidas por umbrellones. Mais ao fundo, ao fim de um corredor, um gramado que poderá virar horta.

O bufê de almoço atende de segunda a sábado até às 14h30/foto: acervo Casa Kurí

Como restaurante, os pratos são variados, ao preço de 89,90 o quilo; quem preferir pode optar pelo bufê livre a R$ 59,90 por pessoa. A etapa café do Kurí lista expressos, capuccinos, latte, mocha e exemplares gelados, chocolates e chás, além de bebidas alcoólicas ou não. No cardápio, uma seleção de salgados (pastel, sanduiches, tostadas) e de doces, com destaque para bolos, tortas, brownies e cheesecakes. O atendimento é simpático, como o ambiente.

Ainda sobre o passado do imóvel, segundo o boletim da Casa Romário: nos anos 1930, o prédio era ocupado, no andar superior, por João Rodrigo de Freitas e sua mulher Angelina, com seus sete filhos. Anos depois, o imóvel foi comprado por Felix e Elza Lerner, que ali viram crescer seus cinco filhos.

Em seu discurso na Câmara de Vereadores, em 29 de março de 1980, ao receber o título de Vulto Emérito de Curitiba, Jaime Lerner fez um breve retorno ao passado: “Quero estacionar um pouco na Casa Félix, Roupas Feitas e Armarinhos, Barão do Rio Branco, 593. Nos balcões da loja onde comecei a sonhar e desenhar num mundo de manequins, estampas Eucalol, chapéus Prada, sapatos Vulcabrás, abotoaduras, colarinhos, tecidos, jornais em hebraico e um tabuleiro de xadrez.

O painel de Fernando Canali retrata um pouco da história da casa/foto: Júlio Zaruch

“Nas conversas dos meus pais com os colonos, os operários, os ferroviários, os políticos (a Assembleia era em frente) aprendi meu País amado por meus pais, aprendi meus pais, amei a ambos. Aqui perto, a Escola Israelita Brasileira, o campinho de futebol onde estacionava de vez em quando o circo do Chic-Chic, outras vezes o parque de diversões, onde o Luiz Gonzaga, o Alvarenga e o Ranchinho acompanhavam a roda-gigante”.

Numa das paredes do salão do Kurí, um painel de autoria do arquiteto Fernando Canali resume um pouco dessa história.

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