
Carambeí, nos Campos Gerais, tem agora um motivo a mais para ostentar o título de “Cidade das Tortas”. O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) concedeu oficialmente, na quarta-feira 21, o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP), para as tortas de Carambeí. O reconhecimento chancela a autenticidade e a qualidade do produto, que carrega mais de um século de tradição e se tornou patrimônio cultural e gastronômico do município.
Produzidas desde 1911, com a chegada dos imigrantes holandeses à região, as tortas conquistaram espaço não apenas na mesa das famílias, mas também na economia e na identidade cultural da cidade. As receitas, transmitidas de geração em geração, ganharam versões modernas, mas mantêm características artesanais, elaboradas com insumos regionais de alta qualidade. Hoje, mesmo empreendedores sem ligação direta com os colonizadores encontram nas tortas uma fonte de renda e uma oportunidade de negócios.
A conquista do selo só foi possível graças à organização dos produtores, que se uniram na Associação dos Produtores de Tortas de Carambeí (APTC), composta atualmente pelo Museu Parque Histórico de Carambeí, Frederica’s Koffiehuis, Tortas Wolf e Lavandário Het Dorp- Vilarejo Holandês. Com apoio do Sebrae/PR, realizaram o trabalho de diagnóstico histórico, cultural e sensorial das tortas. O processo envolveu reuniões, estudos, testes de qualidade e avaliação das receitas tradicionais que marcam a identidade local.
Para Paulo Ricardo Los, proprietário de um café instalado em um lavandário e presidente da APTC, o registro é o reconhecimento do trabalho e da dedicação das empresas, das tortas produzidas em Carambeí e de sua autenticidade.
Para a consultora do Sebrae/PR, Nádia Joboji, a IG representa uma oportunidade de transformação econômica. “As tortas de Carambeí agora integram um seleto grupo de produtos brasileiros. O reconhecimento abre portas para novos mercados, fortalece a competitividade dos pequenos negócios e impulsiona o desenvolvimento local e regional. Além disso, contribui para o fortalecimento do turismo gastronômico, valorizando a cultura, a identidade e a história de Carambeí”, destaca.
Carambeí também é sede do Festival de Tortas, evento iniciado em 2010, surgiu como uma iniciativa da comunidade local para promover a cultura, a gastronomia e a integração entre os moradores e visitantes. Tornou-se uma vitrine para a cidade e hoje traz milhares de turistas em busca de uma experiência gastronômica ímpar, contando com a participação de diversas produtoras e empresas do ramo gastronômico da cidade.
Para o vice-presidente da APTC, Christian Dykstra, que começou o processo do depósito e da busca da IG durante a sua gestão, a conquista é a concretização de um esforço conjunto.A prefeita de Carambeí, Elisangela Pedroso, comemora a nova conquista da cidade que no fim do ano passado já foi oficialmente reconhecida como a Capital Estadual das Tortas. O título foi formalizado pela Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) por meio da Lei Estadual nº 22.534/2025 (originada do Projeto de Lei nº 558/2023), de autoria do deputado estadual Moacyr Fadel.
Paraná, 23 IGs
A conquista das tortas de Carambeí levou o Estado para o número de 23 Indicações Geográficas. O ano de 2025 foi de recorte no Paraná com a conquista de oito novas IG, como as ostras do Cabaraquara; a ponkan de Cerro Azul; as broas de centeio de Curitiba; a cracóvia de Prudentópolis; a carne de onça de Curitiba; o café de Mandaguari; o urucum de Paranacity e o queijo colonial do Sudoeste do Paraná.
Também possuem o selo de IG o mel de Ortigueira; queijos coloniais de Witmarsum; cachaça e aguardente de Morretes; melado de Capanema; cafés especiais do Norte Pioneiro; morango do Norte Pioneiro; vinhos de Bituruna; goiaba de Carlópolis; mel do Oeste do Paraná; barreado do Litoral do Paraná; bala de banana de Antonina; erva-mate de São Matheus; camomila de Mandirituba; uvas finas de Marialva.
Além delas, há ainda o mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil, Indicação Geográfica concedida a Santa Catarina que envolve municípios do Paraná e do Rio Grande do Sul.
O Estado conta com nove produtos depositados e em análise no INPI: acerola de Pérola; mel de Prudentópolis; caprinos e ovinos da Cantuquiriguaçu; ginseng de Querência do Norte; pão no bafo de Palmeira; cervejas artesanais de Guarapuava; café da serra de Apucarana; mel de Capanema e couro de peixe de Pontal do Paraná.
(Fonte: Assessoria de Imprensa Sebrae/PR)
