
Pouco menos de um mês depois de proclamada a República, em 15 de novembro de 1889, o capitão de mar e guerra José Marques Guimarães, que presidia o governo do Paraná por nomeação do marechal Deodoro da Fonseca, baixou o Decreto nº 3, de 11 de dezembro, que fechou as Câmaras de vereadores e criou, em Curitiba, uma Comissão Municipal de sete membros, cujos atos eram por ele sancionados. Até então, a Câmara era responsável pela gestão da cidade e seu presidente exercia também o papel de chefe do Executivo.
A decisão baseou-se no Decreto nº 7, de 20 de novembro, do recém-instalado governo republicano, segundo o qual “a responsabilidade do bem-estar dos municípios repousa, na atualidade, direta e indiretamente, nos governos dos Estados, atenta à extinção das Assembleias Provinciais, com as quais se achavam intimamente ligadas as Câmaras Municipais”.
Os sete membros da Comissão são: Vicente Machado da Silva Lima, Victor Ferreira do Amaral e Silva, Francisco de Almeida Torres, Ernesto de Campos Lima, Cyro Persiano de Almeida Vellozo, José Celestino de Oliveira Júnior e Maurício Sinke.
Vicente Machado é escolhido presidente e Celestino Junior, o vice.
Ao noticiar a posse da Comissão Municipal o jornal “Dezenove de Dezembro” publicou que “nunca os interesses municipais reclamaram maior zelo e atividade como atualmente. A Câmara que acaba de ser dissolvida pouco fez em prol do município e, com efeito, deixou de satisfazer as necessidades mais vitais desta cidade, que pelo seu desenvolvimento quotidiano e progresso rápido estava a reclamar melhoramentos inadiáveis”
O “Dezenove” levantava problemas de higiene (“que se preserve a população de qualquer epidemia”), de irrigação das ruas, limpeza pública e fiscalização “quanto à limpeza de quintais”.
A dissolução da Câmara, entretanto, provocou muitos protestos dos antigos vereadores, os que perderam o cargo. Quatro deles – José Pinto Rebello, José Theodoro de Freitas, A. A. Ferreira de Moura e Tobias de Macedo – reclamavam e rebatiam acusações de “ineficiência e desonestidade”. Tinham sido vereadores, ainda, Luiz Coelho, Eugênio Rendazeski, José Carvalho de Oliveira e Guilherme Xavier de Miranda, que, três anos depois, voltaria à Câmara como um dos mais votados, chegando a assumir interinamente a Prefeitura por vários meses.
Enquanto isso, a Comissão começa a trabalhar. A primeira medida adotada é a mudança de nomes de ruas. A rua do Imperador passa a se chamar “do General Deodoro”; a da Imperatriz, “15 de Novembro”; a praça D. Pedro II é rebatizada de “Tiradentes”.
Outra providência é contratar novos serviços de iluminação pública. E surge o primeiro impasse: é apreciada uma proposta do cidadão Brasilino Moura, defendida pelo membro Ernesto de Campos Lima, que propõe a imediata assinatura de contrato, ao que se opõe o sr. Cyro Persiano de Almeida Vellozo, que alega necessidade de concorrência pública. O parecer de Vellozo prevalece. O prazo para recebimento de propostas, no entanto, é pequeno: quatro dias.
Seis pessoas se habilitam na licitação e uma comissão de três membros – Cyro Vellozo, Maurício Sinke e Celestino Junior – analisa as propostas. O primeiro lugar, em preço, coube a Brígido dos Santos (1.169$500 – mil, cento e sessenta e nove contos e quinhentos réis); em segundo, ficou a proposta de Brasilino Moura (1.192$500); em terceiro, a de Gregório Garcez (1.260$600); em quarto, a de José Ferreira de Barros (1.284$500); em quinto, a de Francisco de Paula Brito (1.303$500); em sexto, a de Lufrido José da Costa (1.311$000). O valor total correspondia à instalação e manutenção (mensal) de 230 lampiões.
Eis o parecer da comissão: “Pondera que a primeira, sendo de menor preço, tem o inconveniente de só fazer iluminação nas noites de escuro ou nas que não forem de lua. A segunda requer conserto de lampiões e dos aparelhos por conta da Municipalidade, o que acarretaria grande dispêndio. A terceira está nas condições da primeira. A quarta pretende fazer a iluminação durante dois meses a querosene, o que traz desvantagens de ficar mal iluminado nesse período. A quinta está nas condições da primeira e terceira, exigindo o pagamento da iluminação do Passeio Público. A sexta é de preço mais elevado, mas, além de oferecer as vantagens das outras, toma o compromisso de iluminar a cidade nas noites chuvosas durante o período lunar, bem como fazer grátis a iluminação interna e externa da cadeia e do Passeio Público até as horas de silêncio, o que nos faz julgá-la a mais vantajosa para os habitantes da cidade”.
Assim, o contrato foi firmado com o sr. Lufrido José da Costa, como consta da ata do dia 14 de dezembro.
