Imperial, seis décadas dedicadas à boa mesa

Restaurante Imperial: em média 500 pessoas por dia entre o almoço e o jantar/fotos: Priscilla Fiedler

Qualidade, bom atendimento, uma elevada dose de simpatia, um cardápio que mescla pratos tradicionais e comida de boteco – seu mignon à parmegiana é imbatível – e um cenário histórico: esses são os ingredientes que compõem a receita do dia-a-dia de um dos clássicos da gastronomia curitibana: o restaurante Imperial (r. José Loureiro, 111, piso superior), que na segunda-feira 28 comemorou 60 anos de existência.

Ali, no mesmo espaço que abrigou por décadas a redação do histórico Diário do Paraná, integrante da rede dos Diários e Emissoras Associados de Assis Chateaubriand, Sergio Chueh, o proprietário desde 1997, e a esposa Letícia reuniram, para celebrar a data, uma legião de convidados, familiares, antigos e atuais frequentadores e jornalistas em torno da boa mesa. Momentos de recordar tempos de muito sucesso e até de dificuldades, como os da pandemia de covid.

Desde o 28 de setembro de 1966, o local acompanhou as transformações da região, atravessou mudanças de hábitos e de gerações e se consolidou como um endereço de memória e convivência. Nasceu vizinho do atual, no número 135 da mesma rua, por obra dos imigrantes Victoriano Touron Souto, espanhol, conhecido como Vitor, e Manuel Rosa Henriques, português.

O nome escolhido remetia a uma palavra então bastante utilizada comercialmente nos países de origem dos fundadores e associada à tradição, à elegância e ao prestígio. O pequeno restaurante, com cerca de 50 metros quadrados, tinha poucas mesas, balcão e cozinha modestos.

Hoje, recebe em média 500 pessoas por dia entre o almoço (segunda-feira a sábado, das 11h às 16h30, com pedidos até às 15h30) e o jantar (terça a sexta-feira, das 18h às 23h, pedidos até meia hora antes). Há clientes que conheceram o restaurante com os pais ou avós e agora retornam com os próprios filhos.

Sérgio Chueh: amamos o que fazemos

Diz Sérgio Chueh: “O Imperial vive e respira o centro de Curitiba. Sentimos que ele já não é simplesmente um comércio: faz parte da memória de muitas pessoas. Procuramos cuidar do restaurante como se fosse um patrimônio da cidade, porque entendemos que nossa responsabilidade vai além de sermos seus proprietários”.

A história do Imperial também pode ser contada pelo cardápio. As paellas Marinera e Valenciana estão entre as receitas mais antigas e mantêm viva a influência espanhola das origens; atualmente são servidas sob encomenda. Ao lado delas permanecem pratos como tutu de feijão, dobradinha, feijoada, língua com purê e ervilhas, costela assada, churrasco de igreja e diferentes preparos com filé mignon.

A principal estrela da casa, entretanto, é o Mignon à Parmegiana, receita que se tornou um dos maiores símbolos do Imperial e um dos principais motivos que levam clientes ao restaurante. Servido há décadas, o prato recebeu atenção crescente ao longo dos anos, com aprimoramentos no molho, nos queijos e na seleção dos ingredientes, sempre com filé mignon. A maciez é apresentada diante do cliente: o garçom corta a carne com uma colher, à mesa. Em sábados de grande movimento, cerca de 300 parmegianas podem ser servidas somente no almoço. Mais de uma tonelada de filé mignon é consumida mensalmente.

Entre as receitas com origem familiar está o Mignon à Imperial, criado por Farid Chueh, pai de Sergio e Marcos (que deixou a sociedade em 2014, mas estava lá para comemorar). Preparado inicialmente nos almoços de domingo da família, o prato chegou ao menu do restaurante e ganhou significado especial. O filé é grelhado na manteiga e servido com aspargos, cogumelos, palmito, brócolis, arroz branco e batatas rústicas.

O cardápio reúne ainda dezenas de pratos que fazem sucesso entre o público: a alcatra Orelha de Elefante, o Ancho ao Alho e Óleo, a costela assada das sextas-feiras e o Filé Mignon ao Queijo Azul, grelhado e servido com molho de queijo azul, arroz e batatas fritas à portuguesa. À noite, a casa retomou a tradição dos petiscos de boteco, com bolinhos de siri e carne, cascudinho à milanesa, pão com bolinho e pão com costela, além de pratos principais.

Mignon à Parmegiana, o destaque principal do cardápio

Nos primeiros anos, o endereço funcionava como um pequeno boteco, frequentado sobretudo por homens depois do trabalho. O cardápio reunia petiscos de bar, receitas brasileiras e pratos de influência ibérica, como paella, bacalhau e risoto de polvo. A qualidade da cozinha espanhola, portuguesa e brasileira conquistou a clientela e, com o passar dos anos, o público cresceu. Vieram as famílias, os grupos de amigos e novas gerações de frequentadores.

Primeiro endereço: cerca de 50 m² e poucas mesas/foto: Arquivo/Imperial

Em 1997, após mais de três décadas à frente da casa, Victoriano decidiu se aposentar e vendeu o restaurante aos irmãos Sergio e Marcos Chueh, filhos de um antigo cliente. Jovens, eles assumiram o desafio de conduzir um estabelecimento já profundamente ligado à memória dos curitibanos. Em 2014, Marcos deixou a sociedade e Sergio, que é nutricionista, passou a responder integralmente pela gestão ao lado da esposa, Leticia.

“Quando assumimos, o Imperial já tinha mais de 30 anos de tradição. Muitos clientes antigos ficaram receosos, com medo de que aquela história se perdesse. Aos poucos, mostramos que era possível modernizar o que fosse necessário e, ao mesmo tempo, preservar a essência que havia trazido o restaurante até ali. Estamos à frente da casa há quase 30 anos, praticamente metade de sua história, e temos muito respeito por tudo o que recebemos e construímos”, conta Chueh.

O ano de 2020 marcou uma das passagens mais difíceis da trajetória do Imperial. Em meio à pandemia, o restaurante perdeu Ramiro Gil Sobrado, o “Espanhol”, garçom que trabalhou na casa por 45 anos e se tornou parte da história afetiva do endereço. No mesmo período, depois de 55 anos no imóvel original, foi preciso tomar a decisão de mudar o restaurante de lugar: para o 111 da mesma José Loureiro, onde as paredes exibem fotografias históricas de Curitiba e imagens de garçons veteranos, entre eles Ramiro e Pedro dos Santos, o “Periga”, outro colaborador que dedicou 45 anos à casa.

A equipe continua sendo parte fundamental dessa continuidade. Entre os profissionais em atividade, o mais antigo é o garçom Edson Luiz Garret, que trabalha no Imperial desde 2007. A memória dos funcionários aposentados e daqueles que já faleceram também permanece presente no cotidiano do restaurante.

Casa que recebeu ao longo de seis décadas importantes nomes do mundo artístico, cultural, empresarial e político do país, em sua história mais recente o Imperial foi eleito por três anos consecutivos o Melhor Restaurante para Ir no Centro de Curitiba no Prêmio Bom Gourmet, em 2024, 2025 e 2026. Conquistou ainda, por duas edições seguidas, o título de Melhor Parmegiana da Cidade, em 2025 e 2026, e venceu a categoria Melhor Restaurante para Levar um Turista em 2026. Na edição 2018/2019 do prêmio Veja Comer & Beber Curitiba, subiu ao pódio na categoria Bom e Barato.

“Amamos o que fazemos e queremos continuar cuidando do Imperial da melhor maneira possível. E, se um dia ele estiver em outras mãos, esperamos que quem vier depois de nós tenha o mesmo carinho e respeito por essa história. O maior legado que podemos deixar é o de uma tradição que soube permanecer viva”, conclui Sergio Chueh.

Informações: Instagram@restauranteimperial1966; reservas: 41. 3222-1323.

(Com informações de Pagina 1 Comunicação)

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