
O Café da Serra de Apucarana é a mais nova Indicação Geográfica (IG) brasileiras, a 24ª do Paraná. O reconhecimento, na modalidade Denominação de Origem (DO), foi concedido nesta terça-feira 27, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que atesta a autenticidade e a qualidade dos grãos produzidos em Apucarana e, também, em Cambira e Arapongas, cidades que compõem a Serra de Apucarana, na região norte.
Entre as 24 IG do Paraná, esta é a terceira DO, ao lado do mel de Ortigueira e do café de Mandaguari. As demais foram conquistadas na modalidade de Indicação de Procedência (IP).
“O selo reconhece que o café de Apucarana é especial. Graças às características do solo e do clima da nossa cidade, produzimos um café que só é encontrado aqui e na África”, afirma Carlos César Bovo, cafeicultor e presidente da Associação dos Cafeicultores de Apucarana (Acap).
Entre os fatores naturais, destaca-se o relevo. A região possui altitudes superiores a 700 m, podendo chegar a 2.000 m acima do nível do mar, condição favorável ao cultivo da espécie Coffea arabica. A altitude contribui para a maturação mais lenta dos grãos, o que melhora tanto a produtividade quanto a qualidade do café.
O clima também é determinante. Apucarana apresenta clima úmido mesotérmico, com chuvas bem distribuídas e baixa ocorrência de déficit hídrico. A temperatura média anual é de 20,6 °C, dentro da faixa considerada ideal para o cultivo do cafeeiro, entre 19 °C e 21 °C.
Além dos fatores naturais, a documentação evidencia a importância do saber-fazer dos produtores locais. O uso de técnicas modernas aliado ao conhecimento tradicional, especialmente nos processos de colheita e na torra exclusivamente média, contribui para preservar e realçar as características do café da região.
Como resultado, o café da Serra de Apucarana apresenta perfil sensorial próprio, com acidez equilibrada, notas frutadas (como frutas amarelas e vermelhas) e predominância de melaço.
A IG chega como um presente de aniversário para o município. Nesta quarta-feira, 28 de janeiro, Apucarana comemora 82 anos.

A concessão da IG, feita pelo INPI, foi viabilizada com subsídio do programa Sebraetec, do Sebrae/PR, e recursos da Prefeitura Municipal de Apucarana, por meio da Associação dos Cafeicultores de Apucarana (Acap), e também contou com apoio do Instituto do Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), que ofereceu suporte por meio de capacitações e estudos técnicos.
O consultor do Sebrae/PR, Tiago Correia da Cunha, explica que a instituição, além de subsidiar recursos para viabilizar o depósito da IG pelos produtores, também atuou na capacitação e organização dos mesmos.
“Com a IG, Apucarana se soma a Mandaguari e às cidades do Norte Pioneiro como referência em qualidade na cafeicultura, atestando as boas práticas de produção e manejo. Esse selo dá uma vantagem competitiva para o café conquistar novos mercados nacionais e internacionais, valoriza a origem e fortalece o desenvolvimento econômico do território”, afirma o consultor do Sebrae/PR.
Para o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, a conquista reforça o protagonismo do Paraná na produção de cafés especiais, agregando valor ao produto, ampliando a rentabilidade dos agricultores e consolidando a imagem do Estado como referência em alimentos diferenciados e de origem reconhecida.

“O reconhecimento do Café Serra de Apucarana com o selo de Indicação Geográfica comprova que a cafeicultura paranaense encontrou o seu caminho através da qualidade. Esse resultado é fruto direto do trabalho dedicado dos nossos técnicos junto aos produtores, que unem saber-fazer tradicional e técnicas modernas, aliados a condições naturais únicas de solo, clima e altitude que só existem no Paraná. É essa combinação que gera um café especial, de alto valor agregado, sustentável e com identidade própria, capaz de conquistar mercados no Brasil e no mundo”, afirma Marcio Nunes.
Hoje, o município é o quinto maior produtor de café do Paraná, com uma área cultivada de 1.200 hectares e uma produção anual de 2.376 toneladas, de acordo com a Secretaria Municipal de Agricultura.
O prefeito de Apucarana, Rodolfo Mota, lembra que a história da cidade está intrinsecamente ligada à produção de café e que diversos bairros foram nomeados em homenagem às variedades já cultivadas na região, como o Catuaí e o Sumatra.
“Esse reconhecimento chega logo após a região ser destaque no concurso estadual de qualidade do café. Na prática isso significa mais dinheiro no bolso do produtor, garante um padrão de qualidade para o consumidor e gera, também, mais dinheiro para a economia do Município. É uma conquista que beneficia a todos”, pontua o prefeito.
Atualmente, a produção de café já movimenta R$ 215 milhões por ano, uma das principais atividades econômicas do município. A estimativa é que esse número cresça ainda mais com a obtenção da IG.
Além disso, o reconhecimento do selo “Café da Serra de Apucarana” beneficiará diretamente 250 produtores de café da cidade, além de 50 propriedades em Cambira e uma em Arapongas.

O distrito de Pirapó realiza todos os anos a Festa do Café (Fescafé), evento que celebra a cultura do café com atrações técnicas e festivas para a comunidade. A festa é uma tradição no município e visa fortalecer a história do café e promover o convívio social na região, de acordo com a Prefeitura Municipal de Apucarana. Quem visita o local também pode conhecer o Museu do Café, aberto o ano todo.
Além das atrações cafeeiras já tradicionais em Apucarana, o município se prepara para oferecer novas experiências aos visitantes. “Por conta da IG, começamos a participar da Rota do Café do Norte do Paraná e estamos trabalhando para oferecer experiências únicas com locais para cafés e almoço da roça”, conta o presidente da Associação dos Cafeicultores de Apucarana.
Fernanda Corrêa, presidente da Associação Rota do Café Paraná, explica que os produtores participantes da Rota recebem treinamentos focados em experiências de Turismo, incluindo melhores práticas para uma visita técnica, passeios às propriedades e até mesmo sugestões de souvenirs que podem ser vendidos. “Oferecemos aos participantes da Rota uma consultoria completa para realmente valorizar esse produtor”, destaca Fernanda.
Segundo ela, o papel da Rota do Café é fortalecer a identidade do norte do Paraná. “Café é o nosso legado, faz parte da nossa história como território, mas também faz parte da história da maioria das famílias, das pessoas que são da região”, lembra.
(Fonte: Sebrae PR/Assessoria de Imprensa)
