
O escritor Jorge Bernardi faz, na terça-feira 20, às 15h, o pré-lançamento de seu romance “Terra em Fúria – Recordações do Grande Terremoto de Coré-Etuba”, durante palestra gratuita e aberta ao público, na sede do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná (r. José Loureiro, 43, Centro, Curitiba).
A narrativa se passa na década de 1990, período em que Bernardi, ex-vereador da capital paranaense, presidia a Câmara Municipal de Curitiba. Mesclando ficção, história e conhecimentos científicos, o romance explora a possibilidade de um grande terremoto atingir a cidade e suas consequências para a população.
O tema central da obra é a estrutura geológica da região de Curitiba, marcada por antigas falhas, fraturas e zonas de cisalhamento, entre elas a Falha da Lancinha, associada ao sistema de falhas Cubatão-Lancinha, além das estruturas relacionadas ao Gráben de Curitiba.
“Não há dúvidas de que a cidade está assentada sobre um mosaico de terrenos, rochas, fraturas e zonas de cisalhamento. A falha geológica é uma estrutura da crosta terrestre. Já o terremoto ocorre quando há uma ruptura ou movimentação que libera a energia acumulada”, explica Bernardi.
O escritor destaca uma conhecida afirmação utilizada na discussão sobre prevenção sísmica: “O que mata não é o terremoto, mas as edificações mal construídas”. Bernardi recorda o tremor registrado em 2017, na região entre Rio Branco do Sul e Itaperuçu, que também foi percebido em Curitiba.
Relata: “Eu mesmo ouvi e senti o tremor em minha residência, no bairro Ahú. Foi a partir daquele acontecimento que comecei a estudar a geologia da nossa região. Dessas pesquisas nasceu o romance”.
Embora não seja geólogo, Bernardi é doutor em Gestão Urbana e encontrou na literatura uma maneira de despertar o interesse da população por um tema pouco discutido: os riscos sísmicos e a necessidade de incorporar o conhecimento geológico ao planejamento urbano.
“Ter uma falha geológica no mapa não significa que a cidade esteja sobre uma bomba-relógio. O risco de um grande terremoto pode ser pequeno, mas não deve ser ignorado. Afinal, como diz o ditado, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”, argumenta.
Mais do que narrar uma catástrofe imaginária, Terra em Fúria propõe uma reflexão sobre a segurança das cidades e a importância da prevenção.
Ao longo da narrativa, o autor deixa três questões fundamentais para os leitores e para o poder público: a) Conhecemos suficientemente as estruturas geológicas existentes sob a Região Metropolitana de Curitiba? b) Nossas edificações, pontes, viadutos e redes de infraestrutura essencial estão preparadas para enfrentar eventos sísmicos raros, porém potencialmente severos? c) O planejamento urbano deveria incorporar, de maneira mais efetiva, o conhecimento geológico e uma cultura permanente de prevenção?
Ao transformar essas indagações em literatura, Jorge Bernardi procura demonstrar que, embora a ocorrência de um terremoto de grandes proporções em Curitiba seja considerada pouco provável, conhecer os riscos e preparar a cidade para enfrentá-los é uma responsabilidade coletiva.
(Fonte: Assessoria de Imprensa de Jorge Bernardi)
