Jaime Lerner é eternizado em bronze no calçadão

A escultura perpetua a presença física de Lerner no calçadão/fotos: Pedro Ribas/Secom

Mais do que a inauguração de uma escultura em bronze, perpetuando sua presença física no calçadão da rua das Flores (15 de Novembro na nomenclatura oficial), o que mais marcou a homenagem ao urbanista Jaime Lerner, na manhã desta segunda-feira de início de outono, foi a presença maciça de antigos colaboradores de suas gestões na Prefeitura de Curitiba e no Governo do Paraná.

Um agradável reencontro de amigos e admiradores, alguns vindo de longe, numa atmosfera de simpatia e otimismo que sempre pautou seus dias nos gabinetes de onde comandou o processo de transformação urbana de Curitiba e da condução dos caminhos pelo Paraná afora. Sempre criando, sempre inovando.

“Quem cria, nasce todo dia” – uma de suas frases famosas foi agregada à escultura, cuja entrega faz parte das comemorações dos 333 anos da cidade.

Na Prefeitura, ao marcar a inauguração de uma obra e questionado sobre a possibilidade de chuva, Lerner sempre respondia que ou não choveria ou a chuva chegaria mais tarde. E quase sempre acertava. Pois nesta segunda-feira, embora a chuva fosse uma ameaça, o sol brilhou, como sempre brilhou a estrela do arquiteto e urbanista.

Ao inaugurar o monumento, o prefeito Eduardo Pimentel, ao lado das filhas de Lerner – Andréa e Ilana – e de outros familiares, disse que “esse espaço é uma homenagem a uma das maiores obras que o Jaime Lerner fez em termos de criatividade, de mobilidade: o calçadão da rua 15. Curitiba tem um histórico de planejamento urbano e de tirar esse planejamento do papel, e isso passa pelo Lerner.”

O prefeito também estimulou os curitibanos a interagir com a estátua: “Sentem ao lado do Jaime Lerner, tirem uma selfie, marquem Curitiba, usem a hashtag #JaimeLernerNa15”.

Ilana Lerner: um papo com o Jaime Lerner de bronze

“Podemos todos bater um papo com o Jaime Lerner de bronze”, brincou Ilana Lerner, filha do ex-governador e presidente do Instituto Jaime Lerner, dedicado à sua memória e a despertar uma consciência positiva sobre o potencial das cidades. “Foi aqui que uma nova cidade nasceu. Para ele, Curitiba era um sonho realizado, um espaço para criação e encontro. Obrigado a essa cidade que fez meu pai muito feliz”, completou Ilana ao lado da irmã Andrea.

A obra, de autoria do escultor Elvo Benito Damo, está instalada no calçadão da rua XV de Novembro, entre a Marechal Floriano e a Doutor Muricy. Nela, Lerner aparece sorridente, com um caderno na mão, sentado em uma peça de mobiliário de sua autoria, o banco Toinoinoin. É uma escultura relacional – não somente contemplativa, mas com espaço para as pessoas sentarem-se ao seu lado e interagir.

Inaugurada pelo prefeito, a obra faz parte das comemorações dos 333 anos de Curitiba

A escultura foi instalada no calçadão da Rua XV, um espaço urbano idealizado por Lerner e cuja implantação começou em 1972, em sua primeira gestão como prefeito de Curitiba. À época, dedicar uma área da cidade apenas a pedestres, fechando-a para o trânsito e equipando-a com bancos e floreiras, ia contra uma cultura que privilegiava os automóveis.

A Rua das Flores, como foi chamado o calçadão, foi o primeiro espaço do gênero no país. O calçamento em petit-pavê com desenhos de pinhões e araucárias tornou-se marca distintiva da capital paranaense e em pouco tempo virou atração turística.

“Tudo o que sou como escultor começou por causa dos espaços que Lerner abriu na cidade para oficinas”, disse o escultor Elvo Benito Damo.

O artista trabalhou na obra desde fevereiro do ano passado, em um processo que incluiu conversas com a Prefeitura de Curitiba e com a família Lerner. A estátua foi produzida usando o método da cera perdida, que consiste em usar um modelo em cera, que é revestido com um refratário. Assim é criado um molde, que, mais tarde, será aquecido. A cera derrete e deixa o molde, que recebe o metal fundido.

O molde foi feito no atelier de Damo, na Barreirinha. A fundição e a pátina (processo de acabamento em que o bronze é submetido a uma oxidação controlada que resulta na coloração final da obra) foram feitos no atelier de escultura do Memorial Paranista, espaço mantido pelo Instituto Curitiba de Arte e Cultura (Icac) dentro do Parque São Lourenço, onde é preservada grande parte da memória e do know-how da escultura paranaense.

(Com informações da Prefeitura de Curitiba)

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