Foz anuncia criação de Escola Nacional de Turismo

Jin Petrycoski: além da mão de obra qualificada, a Escola terá cursos para gestores e empresários/foto: Divulgação

A cidade paranaense de Foz do Iguaçu anuncia a implantação de uma Escola Nacional de Turismo como forma de suprir a demanda por mão de obra qualificada em um dos principais destinos turísticos do Brasil e um dos mais conhecidos do mundo.

A falta de mão de obra qualificada consta de diagnóstico feito pela Secretaria Municipal de Turismo de Foz. A partir desse levantamento, o município estruturou um plano para fortalecer a qualificação profissional, reduzir os impactos da sazonalidade e criar condições para que as empresas consigam reter talentos.

De acordo com o secretário municipal de Turismo de Foz, Jin Petrycoski, “o maior desafio que encontramos foi a falta de mão de obra qualificada. Essa carência existe em todos os níveis, desde a camareira e o recepcionista até gestores e profissionais que ocupam cargos de decisão”.

Petrycoski destaca, ainda, que a dificuldade já mudou a dinâmica do mercado de trabalho em Foz do Iguaçu. Com inúmeras vagas abertas e poucos profissionais capacitados, empresas disputam colaboradores experientes, principalmente nas funções estratégicas. A consequência é um cenário de alta rotatividade, que compromete a continuidade dos serviços e dificulta o planejamento do setor.

A Escola Nacional de Turismo de Foz deverá ser a segunda do país. Embora o município tenha tentado sediar a primeira unidade da instituição, o projeto inaugural foi implantado em Belém. Ainda assim, as articulações continuaram e Foz avançou nas negociações para receber a segunda unidade do país.

Para enfrentar o problema da falta de mão de obra especializada, a Prefeitura trabalha em duas frentes. A primeira busca reduzir a sazonalidade do turismo, ampliando o fluxo de visitantes durante todo o ano. A avaliação da Secretaria é que, com ocupação mais constante, hotéis, restaurantes e atrativos deixarão de promover demissões nos períodos de baixa temporada, criando um ambiente mais estável para trabalhadores e empresários.

A expectativa é que essa permanência dos profissionais no mercado formal aumente a concorrência por mão de obra qualificada e, consequentemente, provoque uma valorização salarial. Na avaliação da gestão municipal, empresas que desejarem manter bons profissionais precisarão investir mais em remuneração e desenvolvimento das equipes.

A estratégia também busca evitar que trabalhadores deixem o setor durante os meses de menor movimento e acabem migrando para a informalidade, situação recorrente em destinos turísticos que sofrem com fortes oscilações de demanda.

A segunda etapa do projeto é considerada a mais estruturante. O município articula a implantação da segunda unidade da Escola Nacional do Turismo, iniciativa desenvolvida em parceria com o Governo Federal, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e o Instituto de Hotelaria, Gastronomia e Turismo (IHGT).

A proposta prevê cursos voltados tanto para quem deseja ingressar no mercado quanto para profissionais que já atuam no setor e precisam de atualização técnica. A formação também contemplará gestores e empresários, especialmente aqueles envolvidos na sucessão de empresas familiares, ampliando a profissionalização da atividade turística em Foz do Iguaçu.

O programa já possui previsão orçamentária aprovada pela Prefeitura e deverá oferecer incentivos como auxílio-transporte e bolsas para estimular a participação dos estudantes. A expectativa é que a formação esteja diretamente conectada às necessidades do mercado, facilitando a inserção imediata dos alunos no setor turístico.

Os últimos ajustes burocráticos estão em andamento e a expectativa é que, nos próximos dias, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano visite Foz do Iguaçu para conhecer a estrutura do IHGT e oficializar o convênio que permitirá o início das atividades da Escola Nacional do Turismo no município. A iniciativa é vista como um passo estratégico para fortalecer a competitividade do destino e preparar a cidade para o crescimento contínuo da atividade turística nos próximos anos.

(Fonte: Silvana Canal)

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